28 de novembro de 2020

Qual é a segurança bastante para uma usina nuclear?

A energia nuclear tinha feito as pazes com os ambientalistas e reformadores do mundo — ou conservadores da natureza, sei lá eu — de modo geral. Afinal, trata-se de uma fonte de energia limpa no que diz respeito aos gases do efeito estufa, que estão na raiz da escatologia sobre as mudanças climáticas. A explosão […]

A energia nuclear tinha feito as pazes com os ambientalistas e reformadores do mundo — ou conservadores da natureza, sei lá eu — de modo geral. Afinal, trata-se de uma fonte de energia limpa no que diz respeito aos gases do efeito estufa, que estão na raiz da escatologia sobre as mudanças climáticas. A explosão de Chernobyl já era apenas memória, suplantada pelo suave terrorismo do bem dos ambientalistas. O petróleo e o carvão se tornaram anátemas; a construção de hidrelétricas requer intervenção significativa na natureza. Como o sol e o vento não conseguem dar conta das necessidades da civilização, a energia nuclear saiu do inferno e foi promovida ao céu. Cientistas atestam que tudo pode ser feito de modo seguro, com danos mínimos ao meio ambiente. Pois é…

Os eventos do Japão dão o que pensar. Que o país está sujeito a terremotos, eis um dado que a ninguém surpreende. Que os terremotos o exponham  a tsunamis, idem — aliás, os japoneses criaram a palavra para designar a ocorrência. Então o que deu errado? Sim, algo deu errado. Não vale afirmar que ninguém está preparado para o inédito. O nível de segurança de uma usina nuclear tem de, se me permitem o chiste, multiplicar o risco do inédito por 100, 200, 300…

As informações são um tanto confusas, mas tudo indica que a usina suportou bem o maior tremor da história do Japão. Foi a tsunami que expôs o país e o mundo a um acidente nuclear: as águas invadiram os geradores a diesel que deveriam garantir o resfriamento dos reatores. De uma, uma: eles não estavam em lugar suficientemente seguro. Que segurança seria suficiente? Eu não sei. Que houve um erro no cálculo do risco, isso é dado pelos próprios fatos. O problema não está na energia nuclear. Trata-se de uma falha humana. É evidente que as demais usinas estão agora sob suspeita.

Há duas ou três décadas, como aconteceu há 25 anos com a explosão de Chernobyl, militantes mundo afora se mobilizariam contra a energia nuclear. Hoje, as alternativas economicamente viáveis são consideradas mais perniciosas. Uma coisa é certa: o Japão e o mundo precisam rever o nível de segurança de suas usinas. Elas têm de estar preparadas é para enfrentar o inédito mesmo.

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